Com a previsão de secas mais severas, cresce a pressão para que organizações adotem soluções práticas e integrem a gestão da água ao planejamento estratégico. O Brasil inicia 2026 com indicativos de estiagens prolongadas e risco de instabilidade no abastecimento de água.
A Engeper Ambiental e Perfurações, referência em soluções de captação, monitoramento e reuso, alerta para a necessidade de preparo das empresas diante desse cenário. Segundo o Relatório Conjuntura dos Recursos Hídricos 2023 da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o país retira cerca de 64 trilhões de litros de água por ano, pressão concentrada na irrigação e no abastecimento urbano.Dados do MapBiomas Água mostram que, em 2024, a área coberta por água caiu 2% em relação a 2023, para 17,9 milhões de hectares, abaixo da média histórica.
Com os efeitos persistentes do El Niño e a variabilidade climática, o Cemaden alerta para maior risco de secas no Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste até 2026. Para empresas, isso significa custos mais altos, maior vulnerabilidade operacional e necessidade de planejamento.“A estiagem deixou de ser um evento excepcional e passou a ser um risco permanente para quem depende de água para funcionar”, destaca Lorena Zapata, Diretora de Novos Negócios e Sustentabilidade da empresa. A seguir, 5 recomendações para enfrentar o próximo ano com mais segurança:
1. Identificar onde a água está sendo desperdiçada.
O primeiro passo é entender claramente onde a água é usada e onde há perdas. Muitas empresas enfrentam consumo elevado por vazamentos, equipamentos antigos ou processos nunca revisados. A ANA mostra que o Brasil perde mais de um terço da água distribuída por falhas e desperdícios, um alerta também válido para o setor privado.
2. Não depender de uma única fonte de abastecimento
Depender só da rede pública ou de um único manancial aumenta o risco em períodos de seca. Empresas podem ganhar autonomia com poços, ampliações de captações já existentes e estudos que confirmem a capacidade real dessas fontes. O MapBiomas e o Cemaden já registram redução contínua da superfície de água em várias regiões, reforçando a necessidade de diversificação. “A segurança hídrica começa quando a empresa tem alternativas e não fica à mercê de um único sistema”, explica.
3. Monitorar o uso de água em tempo real
Sistemas de monitoramento contínuo permitem acompanhar o consumo e o funcionamento de bombas, reservatórios e redes internas. Isso ajuda a detectar irregularidades rapidamente e a evitar gastos com visitas constantes ao campo. Em períodos de estiagem, reagir rápido faz diferença.
4. Tratar e reaproveitar a água usada
O Brasil ainda trata pouco mais da metade do esgoto que produz, segundo o SNIS, o que mostra o enorme potencial de reuso no setor produtivo. Tecnologias como Eletrodiálise Reversa (EDR) permitem transformar água antes descartada em recurso novamente utilizável nos processos internos. Essa prática amplia a segurança hídrica e traz eficiência mesmo em cenários de escassez prolongada.
5. Colocar a gestão hídrica dentro da estratégia da empresa
Em muitas organizações, cada etapa, captação, consumo, descarte, funciona de maneira isolada, o que aumenta custos e fragiliza o sistema. A gestão hídrica integrada reúne operação, metas ambientais, planejamento e governança em uma única visão. “A água precisa entrar no planejamento estratégico como ativo essencial, não como detalhe técnico”, destaca a especialista. Assim, a empresa se antecipa a riscos, melhora indicadores e ganha eficiência estrutural. A adoção dessas práticas reduz custos, aumenta resiliência e prepara as empresas para os impactos de um clima cada vez mais instável.
Em 2026, garantir segurança hídrica será essencial não apenas para evitar interrupções, mas para manter competitividade e sustentabilidade de longo prazo.